domingo, 24 de janeiro de 2010

Inocência


Sou menina quando quero escrever poesia.
Sou menina quando observo os beija-flores que bailam de manhãzinha na minha ensolarada janela.
Sou menina quando me emociono com as rodas gigantes e carrosséis, que ainda existem. Sou menina, ainda menina, quando toco violão.
Sou menina, e serei o sempre, como quando naquelas horas em que esquecemos de chorar, fingi-se que a alegria ainda existe.

A menina às vezes vem me socorrer.

Como quando agora, no hoje tão incerto, quando as esperanças parecem nuvens sem por quê.

Sou mulher.
Sou mulher quando uma lua desatinada, incoerente, e fora de hora, vem me lembrar que a ternura existe dentro de mim sem poder existir.
Sou mulher quando a minha alma quer abraçar ainda a poeira de estrelas deixada pela poesia que se evaporou feito água derramada.
Sou mulher quando memórias e lembranças insistem em me trazer na garganta nós.
Sou mulher quando, no tempo da delicadeza, e num futuro do pretérito utópico, eu seria sua, sempre sua, sublime e intensamente.

Quando os sonhos me sufocam, volto a ser menina. Quando me afogo diante os nós, volto a ser menina. Quando os olhos são mares revoltos, tudo se faz poesia, tudo se faz maestria, tudo se faz sublimidade, como se a dor não existisse...

A menina que me socorre existe eternamente dentro de mim e ainda não me permitiu desistir.
Sublimamente é necessário voltar a ser menina, e sentir o âmbito mais profundo na delicadeza, da ternura e da poesia, pelo menos enquanto a lágrima se evapora...
Enquanto o quando não se quantifica em horas reais, sublimar a essência da alma e não ter mais o dom da lágrima, é um artifício válido para não se perder.

O único problema disso tudo, é que nunca em momento algum eu me lembrei de ser mulher!
Infelizmente a partir de hoje tenho motivos para lembrar, amargos motivos...

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